Zeca Baleiro
O Rei do Rock
[Letra de "O Rei do Rock" com Zé Ramalho]

[Verso 1]
Eu nunca fui o rei do rock
Mas não vendi minha guitarra
Um cantador me deu o toque
Cante, não berre, aguente a barra
Aí então me fiz cantor
Cego aboiando a ventania
Raios, trovões de trovador
Espalhei na terra fria

[Verso 2]
Da Paraíba ao Mississípi
Levei meu som num velho Opala
Eu já fui junkie, eu já fui Hippie
Hoje é o mundo a minha sala
Atravessei o riso e o choro
Dias e mares de marasmo
Com meu casaco de couro
Eu me sentia um Erasmo

[Verso 3]
Por onde andei, cantei baladas
Raps, repentes, tristеs blues
Rasgando o ventre das еstradas
Cegando o escuro de tanta luz
Vaguei por ruas sem asfalto
Andei por becos sem saída
Lutei até o último assalto
No ringue louco dessa vida
Na tela grande do destino
Fui bandoleiro, fui cowboy
Vaqueiro errante, beduíno
Soldado dado à dor que dói
[Verso 4]
Amei mulheres às dezenas
Ergui altares para elas
Plantei crisântemos, verbenas
Rezei novenas, vi novelas
Poeta torto como um anjo
Voei por astros e planetas
Desafinando eu e meu banjo
O triste coro dos caretas

[Verso 5]
Na tela do grande cinema
Fui justiceiro, menestrel
A minha vida é um poema
Que escrevi com sangue e fel
Eu nunca fui o rei do rock
Mas não vendi minha guitarra
Um cantador me deu o toque
Cante, não berre, aguente a barra

[Refrão]
Oh, cante, não berre, aguente a barra
Oh, cante, não berre, aguente a barra
Oh, cante, não berre, aguente a barra
Cante, não berre, aguente a barra