Zé Ramalho
A Peleja do Diabo Com o Dono do Céu
Com tanto dinheiro girando no mundo
Quem tem, pede muito; quem não tem, pede mais
Cobiçam a terra e toda a riqueza
Do reino dos homens e dos animais
Cobiçam até a planície dos sonhos
Lugares eternos para descansar
A terra do verde que foi prometido
Até que se canse de tanto esperar

Que eu não vim de longe para me enganar
Que eu não vim de longe para me enganar
Que eu não vim de longe para me enganar

O tempo do homem, a mulher, o filho
O gado novilho urra no curral
Vaqueiros que tangem a humanidade
Em cada cidade e em cada capital
Em cada pessoa de procedimento
Em cada lamento, palavras de sal
A nau que flutua no leito do rio
Conduz à velhice, conduz à moral

Assim como Deus, parabéns ao mal
Assim como Deus, parabéns ao mal
Assim como Deus, parabéns ao mal
Já que tudo depende da boa vontade
É de caridade que eu quero falar
É daquela esmola da cuia tremendo
Ou mato ou me rendo, é a lei natural
Num muro de cal espirrado de sangue
De lama, de mangue, de rouge e batom
O tom da conversa que ouço me criva
De setas e facas e favos de mel

É a peleja do Diabo com o Dono do Céu
É a peleja do Diabo com o Dono do Céu
É a peleja do Diabo com o Dono do Céu

A peleja do Diabo com o Dono do Céu
A peleja do Diabo com o Dono do Céu
É a peleja do Diabo com o Dono do Céu
A peleja do Diabo com o Dono do Céu
A peleja do Diabo com o Dono do Céu
É a peleja do Diabo com o Dono do Céu